Filmeverlag der Autoren

 

Wim Wenders deu desejo aos anjos; reviveu Pina e a a colocou dentro de todos os seus dançarinos. Sua Paris pequena e solitária era como o falcão que observa, do alto de um deserto, o homem que caminha sedento em busca de si mesmo. Mas Wenders podia não ter feito nada disso; foi a distribuidora independente  Filmeverlag der Autoren que permitiu que ele e outros diretores alemães dessem asas às suas criações cinematográficas.

O Novo Cinema Alemão, movimento que começou na década de 1960, foi um levante,  um não, uma morte sem luto.  O movimento se banhou nas águas noir da Nouvelle  e renegou o cinema estético, o cinema pelo puro entretenimento. Os alemães que ainda não eram mestres, mas o seriam num futuro vindouro, eram as cabeças dessa iniciativa: Werner Fassbinder, Alexandre Kugle e Wim Wenders.

Ainda que os filmes tivessem temáticas diversas, havia três fios condutores das produções dessa época: O primeiro era o baixo orçamento, o que dava aos filmes uma produção mais artesanal e experimental; o segundo era o nascimento desses filmes no pós-guerra, questionando valores e novos hábitos. E por fim, mostravam uma preocupação contemporânea com a Alemanha Oriental e sua sociedade intrigante.

A Filmeverlag der Autoren foi a distribuidora, a máquina de sonhos e de moedas que tornou possível a produção e exibição dos filmes desses jovens empreiteiros. As ideias vanguardistas dos diretores novos muitas vezes não passavam pelo crivo das grandes empresas cinematográficas da era. A Filmerverlag era a zona livre, onde cineastas independentes cuidavam de todas as etapas de crias criativas. A união do grupo criou a força para intersecções subjetivas e colaborações inteligentes.

Foi sob essa luz de liberdade intensa que nasceram filmes como Fitzcarraldo (1982) de Werner Herzog, a história de um excêntrico que desbrava as matas amazônicas para construir uma casa de ópera. Ou Alice nas Cidades (1974) de Wim Wenders, a saga de uma menina na selva de pedra para descobrir o paradeiro de sua vó. Ou ainda o emblemático Paris, Texas (1984), a singela ainda que cruel busca de um homem por suas raízes.

A Filmeverlag passou pelas mãos de diversos cineastas, até ser vendida em 1986. Para celebrar a intensa produção cinematográfica, foi criado um box de DVD com as cinquenta produções que aconteceram graças a distribuidora. São o legado de cineastas que acreditaram em filmes críticos, experimentais e fortes.

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