Juan Carlos Romero

 

Juan Carlos Romero não poupa a violência. É violento com a a grafia e imprime num murro letras negras contra o papel; é violento com a literatura e com a mídia, mordendo-as, arrancando pedaços e cuspindo-as em suas instalações. É violento com o espectador, obrigando-o a decifrar, a ler de um modo que o pescoço doa. Por fim, é de uma violência amarga contra a violência e enxerga-a como fenômeno chave para compreensão da história latino-americana. Juan Carlos Romero é a mandíbula que se fecha bruta.

A hiper textualização carnal na obra de Juan Carlos Romero é fruto de um entendimento da arte como resposta ao meio em que ela nasce. Quando o artista argentino fala sobre a violência, sua banalização e presença massiva, ele fala de uma América Latina que tem esse estigma de sangue e de revolução suprimidas com brutalidade.

Quando se propõe a criar, Juan tem em mente que a obra só terá o seu ciclo completo quando o espectador interferir nela. Para tanto, ele cria desafios semânticos, utilizando a palavra como punho de força extrema e que dobra a ótica do espectador a uma leitura diferente. Pode não ser confortável, esse esporro mental. Mas o desconforto leva a reflexão.

Na obra Violência,apresentada na 31ª Bienal de São Paulo, ele construiu uma instalação em três setores: No primeiro, ele cola no chão e no teto, pulveriza, a palavra violência escrita grande em postêres. Na segunda parte, ele aglutina fragmentos de diversos autores que falaram sobre violência. Já no terceiro, notícias sobre repressão policial foram espalhadas com carimbos da palavra violência. A obra nasceu em 1973, período turbulento do regime militar na Argentina

Morde, abocanha, conceitualiza, extravia um olhar, o ensina. O ensaísta e militante Frantz Fanon acreditava na violência do oprimido como resposta a violência do opressor. Juan Carlos Romero transforma a violência em arte gráfica, que não tem menos força do que um tapa desferido na cara ou que o ardido nos olhos depois de um soco.

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