Lucie Schreiner

 

Tinta preta, que se diluí, é como cabelo moreno, enveredando em curvas e sulcos, criando o perfil da mulher nadando ou do homem que com o facão corta ramos de bambu. Em um Acre que pulsa a vibração da floresta cortada pelo rio marrom, a artista Lucie Schreiner encontrou a verve para contar histórias.

Lucie desde muito se interessou por arte, quando pequena ficou fascinada pelos caracóis coloridos de Van Gogh. A formação em Geografia a manteve interessada pelos relevos e pelas relações que as pessoas mantém com a natureza, o que dela tiram e o que ela dá. Atravessou o país, desde o Paraná até a quentura que empapa a roupa do Acre. Por lá, na beirada do Brasil, o mestre André de Miranda ensinou-a a entalhar e ela não parou mais.

A mão sangra e a madeira não cede. A xilogravura é desenho tátil, contador de história através de textura, que remonta desde as épocas da literatura de cordel. “Quando meus dedos doem por estar horas entalhando uma xilogravura, é o momento em que minha alma sorri”, explica a artista. As gravuras são um emaranhado de veias negras que retratam cenas simples, folclore popular.

A vivência no Acre transformou a relação de Lucie com a arte e as relações humanas que ela pode estabelecer; quando voltou para o Paraná, realizou uma exposição em céu aberto em uma universidade, onde as xilogravuras pendiam dos galhos de árvore, como frutos de enorme beleza, para todos que quisessem ver.

Lucie Schreiner faz o Acre expandir-se em tinta negra e contornos sinuosos.

 

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