Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene

 

É o Morro do Querosene, mas podia ser um vulcão: ali tudo entra em erupção, e quando nas noites da Festa do Boi a galera escorre pelas vielas ela é como lava, incandescente, mantendo viva a chama de uma terra que é sagrada. Porque é do Querosene? Porque quando os outros bairros da cidade eram movidos a eletricidade, o que amarelava no morro era o lampião. Hoje tem luz elétrica sim, mas a luz mais brilhante vem da alma de quem vive lá.

 

O Espaço Húmus encerra seus vídeos sobre cultura falando sobre quem sempre quisemos falar. Era uma ideia que precisava ser muito cuidada, porque é de uma representatividade ímpar para manutenção da cultura paulista e brasileira. Teve acordar cedo, teve dormir muito tarde. E quem fez esse vídeo entende muito bem dessa seiva iluminada que escorre pelos arames dos instrumentos da Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene, porque também vive lá.

 

A Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene nasceu como encontros em uma praça. Primeiro eles queriam aprender a tocar, depois a criar instrumentos, depois se fundir com a musicalidade. Mestre Dinho Nascimento vê esses meninos e meninas de tanto tempo hoje crescidos, com seus lugares na roda, e os berimbaus como arma pela cultura em punho.

 

E vê também a preservação através de cultura de um lugar que é fonte, pedaço de Mata Atlântica, continuação de uma história popular. Ocupar-se do Morro do Querosene é um ato que impregna, e que faz com que as pessoas não somente habitem, mas pertençam, atendendo ao desejo de uma terra mãe, forte e esverdeada, que dá água mas também inspiração. Afinal, esses instrumentos que adornam paredes e que fazem suar vieram diretamente da natureza e é para ela que cantam.

 

Saiba mais em:

 

http://dinhonascimento.com.br/orquestradeberimbaus

 

www.facebook.com/orquestraberimbaus.morrodoquerosene

Fotos: Agnaldo Rocha

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