Convidamos artistas de São Paulo para sair pelas ruas da cidade em busca dos lugares com os quais possuem uma relação afetiva. Conhecer São Paulo por quem a ocupa de forma criativa, através da arte, da música, da dança, da literatura. Este é o novo projeto do Espaço Húmus, o TAPE, um mapa afetivo de artistas locais e suas criações pela cidade.

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16 de dezembro de 2014

Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene

Berimbaus em mãos, fogo nos olhos, o chão debaixo dos pés, ardendo. A Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene celebra a cultura popular brasileira, vibrando instrumentos de preservação de identidade e história.

É o Morro do Querosene, mas podia ser um vulcão: ali tudo entra em erupção, e quando nas noites da Festa do Boi a galera escorre pelas vielas ela é como lava, incandescente, mantendo viva a chama de uma terra que é sagrada. Porque é do Querosene? Porque quando os outros bairros da cidade eram movidos a eletricidade, o que amarelava no morro era o lampião. Hoje tem luz elétrica sim, mas a luz mais brilhante vem da alma de quem vive lá.

 

O Espaço Húmus encerra seus vídeos sobre cultura falando sobre quem sempre quisemos falar. Era uma ideia que precisava ser muito cuidada, porque é de uma representatividade ímpar para manutenção da cultura paulista e brasileira. Teve acordar cedo, teve dormir muito tarde. E quem fez esse vídeo entende muito bem dessa seiva iluminada que escorre pelos arames dos instrumentos da Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene, porque também vive lá.

 

A Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene nasceu como encontros em uma praça. Primeiro eles queriam aprender a tocar, depois a criar instrumentos, depois se fundir com a musicalidade. Mestre Dinho Nascimento vê esses meninos e meninas de tanto tempo hoje crescidos, com seus lugares na roda, e os berimbaus como arma pela cultura em punho.

 

E vê também a preservação através de cultura de um lugar que é fonte, pedaço de Mata Atlântica, continuação de uma história popular. Ocupar-se do Morro do Querosene é um ato que impregna, e que faz com que as pessoas não somente habitem, mas pertençam, atendendo ao desejo de uma terra mãe, forte e esverdeada, que dá água mas também inspiração. Afinal, esses instrumentos que adornam paredes e que fazem suar vieram diretamente da natureza e é para ela que cantam.

 

Saiba mais em:

 

http://dinhonascimento.com.br/orquestradeberimbaus

 

www.facebook.com/orquestraberimbaus.morrodoquerosene

Fotos: Agnaldo Rocha

  • Orquestra de Berimbaus do Morro do Querosene
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4 de setembro de 2014

Jazz na Kombi

Pegamos carona com o Jazz na Kombi quando eles estavam rumo a uma apresentação na Praça Roosevelt no meio da Virada Cultural. Eles atraíram uma multidão que requebrou os quadris e fez as ruas bailarem.

Se o Jazz for confinado e tímido, desconfie. O Jazz nasceu do calor das ruas, do vento balançando o salgueiros, das mãos negras erguendo o trompete, dos pés batendo no chão. O Jazz é um espírito livre, um orixá de saxofone, e quando não encontra paredes, é natural que se espalhe e atraia pessoas que queiram balançar como se não houvesse amanhã.

 

E não é mentira dizer que São Paulo precisa de muito mais balanço. Então, os poetas e amantes da rua, Giovani Bafô e Ana Carulina Laet, tiveram uma ideia genial. Colocar essa jam toda numa kombi maneira e fazer com que o jazz e outras manifestações culturais pudessem alcançar o maior número de pessoas possível, num lugar sem paredes e com muitas paradas.

 

Nasceu então projeto Jazz na Kombi, uma combinação poderosa de uma kombi estilizada e cativante e bandas que entram nela para espalhar seu pólen do Jazz. E assim eles vão ocupando a cidade, retomando espaços que são para as pessoas curtirem, e agitando musicalmente uma efervescência urbana, do Jardim Boa Vista até a Praça Roosevelt. O microfone é aberto, declama versos o poeta, grita alguém da plateia o recado, a kombi fala.

 

Pegamos carona com essa galera quando eles estavam rumo a uma apresentação na Praça Roosevelt no meio da Virada Cultural. E eles fizeram bonito. Atraíram uma multidão que requebrou os quadris e fez as ruas bailarem. Como Giovani fala no vídeo, o sistema é frágil. Arma, estilingue e uma kombi musical e ele ruí. E é lindo.

 

Para conhecer um pouco mais sobre eles e saber quais são os próximos passos dessa migração musical, acesse o facebook deles.

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19 de junho de 2014

Aláfia

Aláfia se aproxima do que pode ser entendido como identidade-preta-contemporânea-além. Ou algo assim, porque essa energia sutil não existe para ser racionalizada e entendida.

Omolucum é o seguinte:

 

Feijão fradinho cozido, passado no azeite de dendê com salsa picada, cebola e camarão seco também picado ou ralado. Servir em tigela branca, acrescentando ovos cozidos por cima.

 

É comida de Oxum, a orixá das águas doces, do amor, intimidade. Tradição africana, nação Ioruba.

 

Omolucum foi o prato principal do almoço musical que deu corpo a esse vídeo. Dendê, quiabo, inhame, arroz. Batuque, violão, gaita, teclado. Cachaça e voz. Mercadão e Sacolão da Lapa, generosos, acolhem sabores de Brasil e África. O bairro da Lapa, generoso, acolhe a banda.

 

Aláfia se aproxima do que pode ser entendido como identidade-preta-contemporânea-além. Ou algo assim, porque essa energia sutil não existe para ser racionalizada e entendida. Está mais para tempero e ritmo, aparente nas guias coloridas ao redor dos pescoços e na cadência das rimas, no pulso das palavras escolhidas.

 

Ou no canto. O dia inteiro. Andando na rua. Batucando na mesa. Descascando inhame. Afinando instrumento. Refogando almoço e janta.

 

Encantando.

 

Isso tudo sem falar do vozeirão da Xênia.

 

  • Xênia França
  • Making Of Aláfia
  • Making Of Aláfia
  • Fábio Leandro
  • Lucas Cirillo
  • Alysson Bruno
  • _MG_8759
  • _MG_8749
  • Making Of Aláfia
  • Making Of Aláfia
  • Making Of Aláfia
  • Making Of Aláfia
  • Filipe Gomes
  • Making Of Aláfia
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  • Making Of Aláfia
  • Making Of Aláfia
  • Making Of Aláfia
  • Making Of Aláfia
  • Making Of Aláfia
  • Xênia França
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7 de março de 2014

Samba do Bixiga / Grupo Madeira de Lei

No crepúsculo a calçada é toda disputada; cadeiras vermelhas se esparramam, nos pés sandálias ou chinelos. Sexta-feira é dia de sambar na rua. Sexta-feira é dia de sambar no Bixiga.

No crepúsculo a calçada é toda disputada; cadeiras vermelhas se esparramam, nos pés sandálias ou chinelos. Sexta-feira é dia de sambar na rua. Sexta-feira é dia de sambar no Bixiga.

 

Fundado em 1975, o grupo Madeira de Lei (que também atende por nomes como Samba do Namur, Boteco Samba de Rua e Samba do Bixiga) completa 40 anos esse ano. Para a alegria de todos, há 4 anos tem endereço fixo e lota a rua Treze de Maio nas noites de sexta-feira. Os integrantes têm samba correndo nas veias há muitos anos. Quem os lidera é Namur (voz e tamborim), ícone da Vai-Vai e compositor do enredo inspirado em Noel Rosa que concedeu o primeiro título de Escola campeã à tradicionalíssima Vai-Vai, lá nos anos 1978. Também participou com enredos e samba-enredos nos anos seguintes (81, 83, 86 e 87) e se orgulha por ter ajudado a consagrar a escola que hoje é detentora de 14 títulos no carnaval paulistano, a primeira da lista.

 

Namur (tamborim e voz), Soré (pandeiro), Chiquinho (tantan e voz), Reinaldo Moura (cavaco e voz), Zezinho (reco-reco) e André (violão) são os ilustres sambistas do conjunto, Carla Borges é a produtora que não deixa o samba falhar, faça chuva ou faça sol, entre muitos outros convidados. E quem quiser cantar e tocar, pode participar.

 

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O bairro do Bixiga

 

Se você for procurar em um mapa talvez não encontre o que é um dos mais tradicionais bairros da cidade: Bixiga. Pertencente à subprefeitura da Bela Vista, o Bixiga é a área compreendida entre as ruas Major Diogo, Avenida Nove de Julho, Rua Sílvia e Avenida Brigadeiro Luís Antônio. Foi lá que grande parte da história do samba e da cidade se fez. Reduto de imigrantes italianos, dizem que esse pedacinho de São Paulo hoje é só arranhacéu. Mas o brilho de quem já está ali há muitos anos e tem verdadeira paixão pelo bairro, esse não se perde nunca mais.

 

O Bar Amigos de Verdade (ou Bar dos Ales) é onde os amigos e sambistas se encontram religiosamente para manter viva a tradição do bairro. Como seus frequentadores gostam de dizer, o bar não tem dono mas elegeu seu presidente, o palmeirense Cosmo Gagliardi, dono da Cantina Capuano, uma das mais tradicionais e antigas da região. Abrem suas portas para receber amigos e familiares em alguns dias da semana. O bar é a oficialização dessa reunião: é o lugar que eles escolheram para chamar de seu. Entre porpetas, macarronadas, cervejas e risos, os sambas cantados e batucados na garrafa, pandeiros e tamborins enchem a casa de alegria, que abriu suas portas e nos recebeu em um belo sábado de sol com um grande abraço.

 

Conheça mais desse pedacinho de São Paulo, que é tão especial, cheio de história e de amor: O Bairro do Bixiga.

 

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Grupo Madeira de Lei
Rua Treze de Maio, 507 – Bela Vista – São Paulo
Em frente à Paróquia Nossa Senhora Achiropita
Toda sexta-feira, das 20h às 23h30
Grátis
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Bar Brothers – Gilson & Fátima
São os parceiros do samba, ajudam o grupo repassando um real a cada cerveja comprada em seu estabelecimento. Além disso, lá você vai ser sempre bem atendido com um sorriso da Rita ou do Belo.
Fica junto ao samba, é só perguntar.
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Bar Amigos de Verdade / Bar dos Ales
Rua Dr. Luís Barreto, 344
Todos os sábados a partir das 14 horas rola muito samba de raíz e a espetacular feijoada da Pinah
Feijoada: R$ 25,00 / Feijoada PF: 15,00
Couvert: Grátis
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Cantina Capuano
Centenária e tradicionalíssima na região, vá lá provar o famoso Fusilli com Brachola, não vai se arrepender.
Rua Conselheiro Carrão, 416
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