Thiago Rocha Pitta

O tempo é uma instituição de poderes e políticas, assim o é, assim o criamos. Mas o nosso tempo não é o único. O tempo da natureza, desse espaço que gostamos de nos excluir, regenar e sorrateiramente também ser próximos, é o tempo da sequoia e seu crescimento sem pressa. É o tempo do mar que desgasta as rochas e do mar que sobre ele, carrega duas árvores.

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Fotografia (Still de vídeo), 2007

E se há algo que o tempo da natureza langorosa sabe fazer é criar fendas, espaços de absoluta liberdade, um oco de árvore no cotidiano. Thiago Rocha Pitta também é criador desses espaços de liberdade. E pode se dizer que também de retorno com elos que são rompidos a partir do momento que nos excluímos do lugar elementar e natural. É um retorno que não obriga e nem induz, uma condução como a da seiva pelo caule. Até para pensar na arte de Thiago, exige-se liberdade.

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Porque Thiago doa-se, como um barco que sem nenhum dono trafegue pelo mar completamente à deriva. Doa-se ao estado dos elementos e com eles trabalha, criando narrativas que são sempre paisagens, algumas vezes mornas, outras vezes explodindo em fogo. Se às vezes ele escolhe trabalhar a quietude, como na obra “O Silêncio”, obra onde velas de barco se aquietaram permanentemente num estado sólido, as vezes ele fala do movimento rebelde, do barco que escolheu a morte em chamas mas sem abandonar seu berço original, que é a água, na obra Homenagem a JMW Turner.

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Obra “O Silêncio”

O filósofo Gastón Bachelard, em seus ensaios sobre a imaginação da matéria, relaciona intimamente os quatro elementos com qualquer tentativa de devaneio e de poesia; é da matéria que sai o sumo da criação artística, de suas particularidades físicas e cósmicas. E se Thiago doa-se, é porque a matéria também para ele se entrega. Molda-se nas mais tranquilas e tempestuosas plataformas, é pintura e vídeo, mas também sempre liberdade. Um pausa no movimento.
É para falar de fendas na temporalidade, do pertencimento do homem à natureza e também da criação de templos da liberdade dos elementos que o Espaco Humus sentou-se com o artista em sua casa/ateliê, um lugar de obras, olhos macios de santos e tintas espalhadas.

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