Verdade 12.528 e nossos mortos que não foram enterrados

“Por que vocês estão fazendo isso?”, uma repórter perguntou. Paula Sacchetta não respondeu o que pensou: “Porque, sua idiota? Porque eu quero viver num país diferente, um país que tenha história, que lembre o que já aconteceu para não deixar repetir”. Neste momento, Paula, seu companheiro Peu Robles e outros membros da Frente de Esculacho Popular (FEP) estavam colando cartazes nos arredores da moradia atual de um dos torturadores da ditadura, denunciando sua identidade, local de residência e seus crimes passados. Em detalhes.

“Por que vocês estão fazendo isso?”, eu, repórter do Espaço Húmus, perguntei. E ainda acrescentei, advogado do general: “Por que revirar fantasmas, por que mexer com o que está no passado, morto e enterrado?”. Neste momento, Paula e Peu estavam sentados em sua casa, dando a entrevista que rendeu este vídeo, prestes a lançar o documentário Verdade 12.528, filme que busca humanizar as histórias que ainda carregamos de nossa ditadura e hoje, 2013, ainda estão aí, precisando ser apuradas, reveladas.

O nome do documentário remete à lei que aprovou a criação da Comissão da Verdade, com a finalidade de apurar graves violações de Direitos Humanos ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988. Ao perceberem que praticamente não havia debate público ao redor do tema, Peu e Paula decidiram realizar seu documentário a respeito.

“Acontece que não estão mortos e enterrados”, ela respondeu. “Hoje, existe uma mulher que tem um irmão desaparecido desde 1972, que nunca pode enterrar o corpo. A gente conversou com ela e com muitos outros que ainda tem desaparecidos na família. Pra muita gente, a ferida ainda não fechou. Para nós, para a sociedade em que vivemos, a ferida ainda não fechou”.

“E é justamente para tratar desse ferida que estamos lutando”, diz Peu. “Tem gente que pensa “ditadura, ah, tortura, coisa tão distante, aconteceu no passado, hoje não, hoje eu vou fazer meu emprego aqui tudo certinho, bola pra frente, constituir minha família”. Mas esse cara não quer olhar pra sociedade como ela está e o que aconteceu na história do Brasil para termos a situação de hoje. É claro que a impunidade do passado dá carta branca para a impunidade do presente, é a mesma estrutura, a mesma construção política que ainda está aí, genocida, militar”, avalia.

Selecionado para a 37a Mostra Internacional de Cinema / São Paulo / 2013
Direção e roteiro: Paula Sacchetta e Peu Robles

Sinopse:
A recém-instaurada Comissão da Verdade surgiu para buscar algumas respostas sobre o período da ditadura militar no Brasil. Paralelamente a ela, percebemos a necessidade de um registro desse processo, e sobretudo das expectativas em relação a ela.

Trilha Sonora: Yamandu Costa – Sufoco

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